CHOQUE
DE PROGRESSO
Ainda na
década de 70 já se ouvia falar de Igarapé nas rádios Atalaia e Tiradentes,
quando em Itaúna minha mãe se ocupava de seus afazeres domésticos com o rádio
ligado. “Lotes em Igarapé, a trinta minutos da FIAT” anunciava o locutor nos comerciais
entre uma música e outra.
Foi nesta
época, com a instalação da Fiat Automóveis em Betim, que Igarapé conquistou seu
primeiro Distrito Industrial, quando se instalou a Resil, hoje Magna, a Induplast,
hoje Injepalstic, CAME e outras menores. Nesta época também chegou a Eletro
metalúrgica Hélios, hoje Fornac.
A cidade tinha
muitos bairros sem infraestrutura, o que atraiu uma população de baixa renda
oriunda da Região Metropolitana de Belo Horizonte, fazendo com que esta
arrecadação não fosse suficiente para atender as necessidades básicas de seu
povo. Complicando ainda mais este quadro, em 1995, São Joaquim de Bicas se
emancipa, ficando Igarapé sem seu Distrito Industrial, sua principal fonte de
arrecadação.
Mesmo nesta
situação, o município continuou a abrir inúmeros loteamentos sem a devida
infraestrutura, e a fomentar o crescimento de sua população, agravando ainda
mais a situação de pessoas em estado de vulnerabilidade social. Era grande a
demanda por saneamento básico, infraestrutura, saúde, educação e segurança.
A atividade
econômica passou a ser basicamente comércio e serviços. Os governos desse
período alegavam inviabilidade de trazer novas empresas devido a questões
ambientais, até que em 2009, o poder público realizou um evento denominado
Igarapé Planejando o Futuro, com o objetivo de apresentar a cidade como apta a
receber novos empreendimentos.
Deste evento
surgiu a parceria com a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerias-CODEMIG
que tornou possível a implantação do Distrito Industrial de Igarapé em uma área
de 1,1 milhão de metros quadrados. A partir desta importante conquista, a
arrecadação municipal, que em 2009 foi 31 Milhões, passou a crescer culminado
no ano de 2023 no valor de 444 milhões de reais. Aumento de 14,3 vezes.
Entre 2009 e
2016, Igarapé teve um choque de progresso, mesmo com a arrecadação ainda muito
menor que a atual, foi construída uma UPA, toda rede escolar foi reformada e
ampliada, novas escolas construídas, novas UBSs, praças reformadas e
construídas, construção do parque ecológico, velório, novas vias de escoamento
de trânsito, 143 Km de asfalto e a importante conquista do Hospital do Icismep.
Após 2016 a
cidade volta à estagnação, nenhuma empresa mais chegou à cidade; apesar do
aumento crescente da arrecadação, as obras e novos serviços se reduzem ao pondo
de nos últimos 40 meses, somente a EMEI do Bairro Bom Jardim foi inaugurada. Na
contramão desta estagnação, a população de Igarapé, conforme o censo do IBGE de
2022, ficou entre os maiores crescimentos da região metropolitana de Belo
Horizonte.
Nos últimos 3
anos Igarapé arrecadou cerca de 1 bilhão e 100 milhões de reais, é várias vezes
o arrecadado entre 2009 e 2016, período que a cidade mais cresceu na sua
história.
Diante deste
cenário é importante buscar respostas para algumas perguntas:
Por qual
motivo Igarapé não recebeu mais nem uma empresa, sendo que no distrito
industrial sua área só foi ocupada em 12%?
Porque a saúde registra tantos problemas e
reclamações da população?
Porque o
Índice de Desenvolvimento da Educação Básica vem caindo tanto nos últimos anos?
No
período de 2009 a 2016, igarapé fez 180 novas contratações para atender a novas
escolas, novas UBSs, nova UPA, a nova Secretaria de Meio Ambiente, novo
velório, etc., nos últimos 40 meses, com a criação de apenas uma nova escola,
foram contratados cerca de mil novos servidores. É inevitável as perguntas: o
que faz tanta gente, onde estão que não aparece melhoria dos serviços
prestados?
Porque Igarapé parou de
progredir?
Onde está sendo aplicado um
bilhão e cem milhões arrecadados?
Ao habitar os cerca de 45 mil
lotes já abertos no município, sem considerar verticalização, nossa população
ultrapassará de 120 mil habitantes. Vamos cruzar os braços, acomodarmos com a
arrecadação e estrutura existentes até que novamente se torne insuficiente e os
problemas voltem a se agravar, penalizando uma população ainda maior? Ou vamos aproveitar o momento e as boas
oportunidade para prepararmos Igarapé para um crescimento saudável e bem
planejado onde seus habitantes tenham qualidade de vida e uma cidade cada vez
melhor para se viver?
Quem governou esta cidade entre
2009 e 2016, o período em que Igarapé teve uma gestão austera e um choque de progresso foi o
Prefeito José Carlos Gomes Dutra, o Kalu.
Igarapé pode e merece muito mais !